DESIGN DE IMPRENSA :: ARY MORAES (de Belo Horizonte)VENTOS NO LITORAL (designers do Rio e Fortaleza destacam-se pela criatividade nas soluções que apresentam para antigos problemas de edição)Peço licença aos leitores para abrir essa espécie de portfólio, num momento em que pipocam "novidades" no mercado de impressos, e quando seria quase que obrigatório falar delas. Acontece que, justamente pela importância que adquiriram, os novos jornais devem ser contemplados no momento certo (que ainda não é este), para evitar juízos apressados. A eles retornaremos, sem dúvida. Voltando ao tal portfólio, temos que tratar também de novidade, visto que são designers que, embora já com certo tempo de janela, parecem ter atingido um patamar de qualidade que justifica a breve exposição que faremos aqui.
Uma dupla de Fortaleza, Gil Dicelli, que alguns conhecem pela autoria do pelo caderno com a biografia de Patativa do Assaré, merecidamente vencedor do Prêmio Esso de Criação Gráfica em 2002. Braço direito do grande Sérgio Fujiwara, editor de arte de O POVO, na época, Dicelli soube construir, com os sofisticados recursos gráficos de que a editoração hoje é feita, um material com a plasticidade dos cordéis e da cultura popular nordestina, da qual o poeta falecido foi um dos maiores representantes. Mais recentemente, sua produção mostra sintonia com os grandes centros difusores de design de notícias. Com ele, Andrea Araujo, sua colega de O POVO, também faz uso da mancha tipográfica para construir significados, numa interessante combinação de tipos e massas.
Os outros trabalhos são de Renato Dalcin, do novo Jornal do Brasil, cujo ponto forte é o aproveitamento da imagem fotográfica como base para a página - a espinha dorsal do padrão gráfico do antigo JB. Nada ão inusitado quanto as formas da dupla do Ceará, mas extremamente elegante, na melhor tradição da casa.
Quem quiser melhorar seu próprio portfólio deve prestar atenção na combinação desses elementos (tipografia, iconografias, composição, criatividade e conteúdo) e também no modo como os colegas estão resolvendo suas páginas. Espiar a turma aí de cima já é um começo.
*Artigo publicado na Revista Imprensa. Edição nº 208. Dezembro de 2005